Maternidade

Intolerância a lactose, por Luisa Arnaud

Oi meninas! O post de hoje é com a nossa colaboradora, mamãe e médica Luísa Arnoud e fala de um problema muito comum nos dias de hoje: intolerância a lactose.

Por aqui, eu e a pediatra da Chloe, percebemos que quando ela consome muito leite (um iogurte no dia a dia ela não sente nada ou quase nada, mas se comer um pouco mais…) e seus derivados (ela não gosta de leite puro, mas não pode ver um queijo ou um iogurte) ela tem reação com dor e distensão abdominal. Não fizemos exames ainda, ficamos só com o estudo clínico e a pediatra até passou um remédio para esses momentos (por precaução é melhor não dizer qual é) de maiores incômodos pra ela, mas estamos tentando controlar a alimentação que já faz um bom efeito.

“Hoje, falaremos de um problema cada vez mais comum entre as crianças: a intolerância a lactose.

 
DEFINIÇÃO
 

A intolerância à lactose ocorre, principalmente no período que compreende os três primeiros anos de vida, em consequência da deficiência genética da enzima lactase, a enzima que permite a intolerancia a lactosedigestão da lactose. 

 

Traduzindo: crianças com deficiência em lactase, a enzima que permite a digestão da lactose, podem sofrer com gases, cólicas, diarreia, náusea e distensão abdominal após consumir alimentos que contenham essa substância.

 
 
INTOLERÂNCIA A LACTOSE X ALERGIA AO LEITE DE VACA
 
Por apresentarem sintomas muito parecidos, há confusão acerca do diagnóstico de intolerância à lactose e alergia ao leite de vaca. Para ficar mais fácil de compreender a diferença: o leite é composto de carboidratos (açúcar), gordura e proteínas.
Quando falamos em intolerância a lactose, estamos nos referindo ao açúcar do leite. No caso de alergia, é a proteína do leite que está relacionada.
É por isso que a alergia à lactose não existe, pois a lactose é um carboidrato, enquanto a alergia está relacionada à proteína do leite.
 
 
CAUSAS
O que acontece é que a natureza é muito sábia: como o bebê tem que tomar leite, as crianças nascem com um nível muito alto de lactase. À medida que elas crescem, com cerca de quatro a cinco anos de idade, como a necessidade de ingestão de grande quantidade de leite diminui, cai também o nível de lactase.
 
É muito raro um bebê nascer com a forma congênita da doença. Assim, é muito raro intolerâncias à lactose em crianças em fase de aleitamento.
 
No entanto, o quadro é mais comum quando a criança enfrenta outra doença, a exemplo de diarréia crônica ou desnutrição (para que o organismo produza lactase, são necessárias proteínas e outros nutrientes). Essas situações podem levar a intolerância, mas de forma secundária.
 
 
TRATAMENTO  
 
A intolerância à lactose primária é hereditária e não tem tratamento. A solução é eliminar a ingestão de alimentos à base de leite e produtos derivados que contém um açúcar natural chamado lactose, a fim de promover o alívio dos sintomas. 
Depois, esses alimentos devem ser reintroduzidos aos poucos até identificar a quantidade máxima que o organismo suporta sem manifestar sintomas adversos. 
Essa conduta terapêutica tem como objetivo manter a oferta de cálcio na alimentação, nutriente que, junto com a vitamina D, é indispensável para a formação de massa óssea saudável. Suplementos com lactase e leites modificados com baixo teor de lactose são úteis para manter o aporte de cálcio, quando a quantidade de leite ingerido for insuficiente.
 

DIAGNÓSTICO

Além da avaliação clínica, o diagnóstico da intolerância à lactose pode contar com três exames específicos: teste de intolerância à lactose, teste de hidrogênio na respiração e teste de acidez nas fezes.

O primeiro é oferecido pelo SUS gratuitamente. O paciente recebe uma dose de lactose em jejum e, depois de algumas horas, colhe amostras de sangue para medir os níveis de glicose, que permanecem inalterados nos portadores do distúrbio.

O segundo considera o nível de hidrogênio eliminado na expiração depois de o paciente ter ingerido doses altas de lactose e o terceiro leva em conta a análise do nível de acidez no exame de fezes.

 
 
ALIMENTOS QUE CONTÊM LACTOSE
 
Laticínios: produtos feitos com leite contêm lactose, tais como creme de leite, sorvete, maionese, bebidas (mistas) de leite, creme de queijo, queijos em geral e queijo cottage. Iogurte podem ser uma boa opção para ingestão de cálcio, uma vez que culturas intestinais ativas metabolizam a lactose, facilitando a digestão.
 
Pães e massas: alimentos ricos em amido (pães, biscoitos, panquecas, bolos e similares) costumam usar leite em pó ou produtos lácteos na preparação.
 
Doces: sorvetes e bolos de sorvete, pudins, cremes e sobremesas que usam leite condensado têm lactose. Alguns adoçantes artificiais, caramelo e doces aromatizados também têm componentes do leite.
 
Bebidas: qualquer forma de leite contêm lactose, como leite integral, leite em pó, leite condensado, leite batido e diversas bebidas instantâneas. Algumas bebidas lácteas estão disponíveis em versões com lactose reduzida e podem ser toleradas por alguns indivíduos.
 
Molhos e coberturas: molhos para saladas, molhos de queijo, manteiga e patês também podem conter lactose. Geralmente, a manteiga possui uma quantidade menor de lactose, e pode ser um alternativa, desde que consumida com moderação.
 
Legumes: matérias-primas vegetais não contêm lactose se não forem praparadas com produtos lácteos. Mas atenção: gratinados, vegetais com creme e pratos de vegetais cozidos podem conter ou utilizar a lactose.  
Verduras de folhas verdes, como brócolis, couves, agrião, couve-flor, espinafre, assim como feijão, ervilhas, tofu, salmão, sardinha, mariscos, amêndoas, nozes, gergelim, certos temperos (manjericão, orégano, alecrim, salsa) e ovos também funcionam como fontes de cálcio;
 
 
CONCLUSÃO
 
A pessoa que desenvolveu intolerância à lactose pode levar vida absolutamente normal desde que siga a dieta adequada e evite o consumo de leite e derivados além da quantidade tolerada pelo organismo.
 
Lembrando que nos adultos, a intolerância a lactose é mais frequente. Ele pode nem saber que é intolerante, mas sabe que se tomar muito leite se sentirá mal. Então, por mecanismo de defesa, ele consome pouco ou não consome leite e passa a vida toda sem saber que tem o problema. O termo, portanto, também é relativo à quantidade de enzima que o indivíduo produz.
 
Fonte consultada: Dra. Yu Ling Koda e Dr. Sylvio de Barros.”
 
Dra. Luísa Araújo Arnaud é mamãe da Bella e comanda o IG @wowmaes.
 

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