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Meu filho é autista: O diagnóstico, por Sheina Assunção

Oi meninas, hoje teremos mais uma colaboradora para nosso blog, a Sheina Assunção. Sheina é filósofa e mamãe do Joaquim, um menino lindo de 3 anos e 7 meses e que foi diagnosticado com autismo. O texto conta um pouco como foi até chegar na descoberta e o que essa mãe sentiu ao conhecer esse mundo azul.

“Olá! Sou Sheina Assunção, tenho 27 anos, casada, filósofa de formação e mãe do Joaquim que hoje tem 3 anos e 7 meses. Joaquim é autista e estou aqui pra contar um pouco dessa experiência.autismo

Quando soube que estava grávida, chorei de medo, meu esposo me perguntou: “Você não esta feliz?” Eu disse: “Estou, mas estou com muito medo”. A responsabilidade de cuidar de outra vida me assustou! O medo veio e depois a alegria tomou seu lugar. Foi assim que nove meses se passaram, até chegar aquela quarta feira do dia 12 de setembro de 2012.

Eu costumo dizer que no dia em que meu filho nasceu conheci o céu e o inferno! Aprendi muito cedo que mãe sofre, somos pais de UTI! As primeiras horas do nascimento dele nos reservaram grandes emoções, mas conseguimos vencer. Joaquim é mais forte do que parecia ser! Joaquim aparentava ser um bebê “normal”. Tá, tudo bem! Ele não quis mais mamar com 4 meses e era muito chorão, mas muitas crianças que não são autistas fazem isso, não é mesmo? Fez carrinho com a boca nos imitando com quatro meses, aos cinco bateu palmas, aos seis balbuciava sem parar, com sete já sentava com nove engatinhava. Largou a chupeta sozinho! Um belo dia olhou e atirou no chão , não quis mais. Andou com um ano, nunca gostou de colo seu maior desejo era correr! Antes de um aninho falou palavras claras, apontava e pedia – Agum! Agumm! -Era água! Já não morreria mais de sede. Rsrsrsrs…

Entretanto, aquele bebê lindo, gordinho começou a ficar diferente. Era irritado, começou a parar de falar e sua hiperatividade era visível até para quem não convivia com ele. Perguntava para pediatra o por que de tanta energia, choros noturnos, vômitos sem explicação aparente, e irritação e a resposta era sempre, sempre a mesma, “ele é normal só é muito levado e menino demora a falar’. E lá íamos de volta pra casa exaustos depois de longas esperas em consultórios correndo atrás dele, tentando distrai-lo e acalmá-lo, e em casa mais cansaço, já tinha até vergonha de falar, as pessoas me olhavam como se eu tivesse fazendo tempestade em copo d’água.

“Meu Deus, como sou inexperiente” pensava! Eu sou a única mãe no mundo que esta sendo derrotado por uma criança tão inocente. Sim, DER RO TA DA! Era assim que eu me sentia sem saber o que fazer. Acreditava fielmente que a culpa era minha, meu filho só era um menino tolo e a culpa era toda minha.

Coloquei na creche com 1 ano e 7meses com a intenção que ele desapegasse de mim, a convivência comigo estava lhe fazendo mal. No começo foi tudo bem, mas com o passar dos dias foi ficando difícil, os gritos, choros, irritação e ai, tiramos ele da escola!

Comecei a deixar o orgulho de lado e comecei a ouvir mais as outras mães, sobre seus conselhos, suas “receitas de bolo”. Uma mãe disse que resolveu as crises de tolices do filho com boas palmadas, outra riu e disse que iria passar e que ele era só extremamente danado, “Leva  ele pro judô, natação, futebol!”,  “Você tem que olhar bem nos olhos dele e abrir bem a boca, só assim ele vai falar”. Ouvi, tentei, cansei e nada funcionou! O castigo, a natação, falar quase engolindo o menino, nada dava certo!

Ainda sem falar, mas já com seus dois aninhos, parei de ouvir a pediatra e as receitas que não davam certo e o levei na fono. No primeiro olhar analisador ela começou a me fazer perguntas, mas acho que ela já sabia as respostas, e no final me olhou nos olhos e disse: “Ele tem muita coisa do espectro autista! Vamos em frente pra termos certeza, vou te dizer que caminho seguir agora pra confirma o diagnóstico!” E continuou “Crianças assim tem algum problema. Pode ser só atraso na linguagem,  o que já e sério, ou pode ser autismo em seus graus que vai do leve ao severo”.  (DSM IV daquele ano levava os profissionais a identificarem assim o TEA)

Tomei um banho de água fria, aquele de amortecer o corpo! Meu Deus o que é isso? AUTISMO???? É grave? Dói? Tem cura? Tem remédio? Eu não sabia o que era autismo! Já tinha ouvido falar muito vagamente e na minha cabeça era uma criança em uma cadeira de rodas quer não falava, não andava, mas meu Deus, meu filho não era assim, pensava! Ela deveria estar errada!

Quanta ignorância minha! Só procuramos saber e tomar consciência de algo na maioria das vezes quando dói na gente, na pele. Fiquei assustada por não saber o que era autismo, mas não fiquei de luto, daqueles que choramos dia e noite. Só um medo invadiu meu ser e até hoje ele não foi embora. O medo do futuro! Eu amo meu filho do jeito que ele é e naquele momento só pensava qual o próximo passo para conhecer o autismo e ajudar meu filho!

Hoje sei que Joaquim tem o chamado autismo regressivo, em que a criança “era normal” e vai perdendo habilidades já adquiridas, como no caso do Joaquim que deixou de falar, de interagir, não gosta de roupas, odeia cortar as unhas e corta o cabelo é um terror. O autismo é parte integrante do ser dele, e isso não quer dizer que ele seja igual a outro autista.

Depois que comecei a conhecer o autismo fui entendo melhor sobre a luta, suas tristezas e alegrias… mas, isso eu vou contando aos poucos.”

Na próxima participação Sheina conta um pouco mais.

Bjoo

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